Ban Natonchan: visitar o lado rural da Tailândia

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Ban Natonchan é uma pequena aldeia da província de Sukhothai no norte da Tailândia. A sua população teve a excelente ideia de abrir as portas das suas casas e criou o projecto das “Homestay“. É nas próprias casas que os forasteiros que vêm até aqui são alojados, convidados a aprender a cozinhar os pratos da terra, a conhecer os artesãos e a desfrutar da natureza.
Foi assim que passei aqui um dia e uma noite, a conhecer artesãos de brinquedos de madeira, a aprender métodos tradicionais de tingir tecidos, a passear de bicicleta, a ver um fabuloso pôr-do-sol e subir um monte durante a noite para ver o nascer-do-sol.

Cama de rede em bambu
O terraço do meu quarto em Ban Natonchan

De Sukhothai a Ban Natonchan

Partimos cedo de Sukhothai rumo a norte. A manhã é passada a visitar as surpreendentes ruínas de Si Satchanalai. Depois de almoço deixamos a estrada principal e avançamos pelo meio dos campos.

A paisagem agrícola é dominada pelas culturas de arroz, banana, cana-de-açúcar e papaia. Estes são intercalados por manchas floridas de amarelo: trata-se de Crotalária, uma planta semelhante a um tremoço que funciona como um fertilizante natural.

campo de flores amarelas de crotalaria na Tailandia
Campos amarelos recuperam para uma nova plantaçao

Artes e ofícios da aldeia

Depois de deixar a mochila na casa onde serei hospedado, saímos para um passeio de bicicleta pela aldeia, com o objectivo de conhecer alguns artesãos e um pouco da rotina de Ban Natonchan.

A primeira paragem é na oficina do senhor Ta Wong, um artesão que trabalhava a madeira. Depois da sua morte, há três anos, o filho não deixou que as ferramentas parassem: pegou nos moldes do pai e continuou o fabrico de umas interessantes bonecas trapezistas. Entretimento para crianças e adultos.

rua de aldeia na Tailandia com campo de arroz
Pedalando pelas ruas da aldeia de Ban Natonchan
artesão de madeira na Tailândia
O neto do sr. Ta Wong trabalha na sua oficina
bonecas brinquedo de madeira
As bonecas trapezistas

As casas são maioritariamente em madeira, matéria prima abundante na região e, construídas sobre pilares. O espaço que fica por baixo, sem paredes mas há sombra, serve para quase tudo: trabalhar, cozinhar, comer e, ao fim do dia, conviver em família.

Passamos ainda por uma casa onde há um tear, pelo templo budista da aldeia e por uma pequena confecção onde se fazem roupas a partir de fibras naturais tingidas com recurso a vários tipos de plantas.

planta para tingir tecidos de forma natural
As plantas que dão cor aos tecidos

Pôr-do-sol nos arrozais

Com o dia a chegar ao fim, deixamos as bicicletas e caminhamos um pouco pelos terrenos agrícolas até uma zona de cultivo de arroz. O local é lindíssimo, com passadiços de bambu entrelaçado sobre o verde dos arrozais.

Estamos sozinhos pouco tempo, pois rapidamente chegam mais pessoas para desfrutar do cenário e um grupo de crianças que correm divertidas por aqui. Um bom local para ser criança, penso.

por do sol sobre arrozal com passadiço de babú na Tailândia
Pôr-do-sol inesquecível
crianças a correr em passadiço de bambu sobre flores amarelas na Tailândia
A alegria das crianças na aldeia de Ban Natonchan
crianças a brincar em passadiço de bambu sobre campos de arroz na Tailândia
Crianças sendo crianças

Um restaurante com muitas estrelas

Voltamos à “nossa” casa. Convidam-me a entrar na cozinha e a preparar uma omelete, mas o resto do jantar já está pronto. Comemos sentados no chão do terraço. As estrelas são o nosso tecto. Na casa ao lado outra família faz o mesmo. É assim a hora de jantar em Ban Natonchan: a saborear o fresco da noite em amena cavaqueira com os amigos. Terminamos com uma aguardente de arroz caseira e o português, com um café. O programa para esta noite começa daqui a poucas horas.

refeição tailandesa com peixe sobre folhas de bananeira e bambu
O belo jantar

O Sol quando nasce é para os madrugadores

Acordamos às quatro e pouco da manhã. A carrinha que nos vai levar até à base da colina já nos espera. Sentado na caixa tremo com o frio da madrugada. Avançamos pela noite, saímos da estrada e seguimos até onde o caminho o permite. A partir daqui é a pé. São só oitocentos metros. Oitocentos metros de um trilho sinuoso, com muitos degraus escavados na terra pelo meio da floresta de bambu. A meio já o meu coração pede para abrandar em uníssono com o joelho direito.

homem em floresta de bambu
O caminho, já na descida

Atingimos o cume do nosso “Evereste” ainda não há sinais do clarear do dia. O guia faz uma fogueira e prepara um café e umas torradas, tudo servido com talheres e canecas de bambu, feitas pelo próprio.

Por fim o crepúsculo matinal começa a pintar o céu. A névoa que paira no ar não cria, de todo, as melhores condições para observar o nascer de mais um dia, mas não deixa de ser um local aprazível para o fazer. Descemos de volta a casa.

Nascer do sol com árvore
O Sol nasce por fim

Pedalar em busca dos gigantes

Como tenho algum tempo livre durante a manhã decido uma vez mais ignorar o meu joelho e ir pedalar um pouco pelas redondezas. Uma rápida pesquisa no telemóvel, revela-me que há um santuário de elefantes a poucos quilómetros. Decido tentar ir até lá.

A estrada é quase sempre plana e o trânsito diminuto. Muito agradável para andar de bicicleta. Os últimos metros são por um caminho de terra batida pelo meio de cearas de milho. De repente, lá estão os elefantes. Fico um pouco a observá-los. Como tenho de regressar, não passo daqui. Só depois soube que se trata do Santuário de Elefantes de Boon Lott’s que, pelo que li, parece ser um projecto realmente preocupado com o bem estar destes gigantes.

elefantes em santuário na Tailândia
Os elefantes passeiam pelo Santuário de Boon Lott’s

Mestre da culinária tailandesa

Antes de partir para Lampang, sou convidado a entrar na cozinha do pequeno restaurante da aldeia e cozinhar a minha própria refeição. A especialidade: Kao Poep. Este prato, originário da aldeia, consiste numa fina massa de arroz cozinhada ao vapor, na qual se introduzem alguns vegetais. No final é enrolada e servida num caldo. Muito saboroso.

É uma experiência muito interessante, principalmente por se estar a cozinhar ao vapor onde, em vez de um recipiente metálico ou de barro, temos um frágil tecido sobre um pote do qual emana o vapor de água que cozinha os alimentos.

cozinhar ao vapor na Tailândia
O mestre
Kao Poep, comida tailandesa
O resultado final

Depois de almoço seguimos para o último destino desta viagem pelo interior da Tailândia: a cidade de Lampang. Ban Natonhan foi uma agradável experiência mas merecia um pouco mais de tempo para falar com as pessoas e explorar os recantos.

A página oficial do projecto das Homestay em Ban Natonchan.


Viagem com o apoio da Autoridade de Turismo da Tailândia e Associação de Bloggers de Viagem Portugueses

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Olá! Eu sou o Samuel, autor do artigo que acabou de ler. Como você, também gosto de viajar e descobrir povos e lugares. Partilho neste blog as experiências vividas nos vários países por onde já andei. Pode saber mais sobre mim na página Sobre o autor. Espero que tenha gostado e, se tiver alguma coisa a acrescentar, deixe um comentário abaixo.

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